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Clipping: Especialistas falam com esperança sobre a criação da ABCD

Confira matéria publicada no jornal O Globo nesta terça-feira (06.08)

Por Cláudio Nogueira 

O esporte mundial vem sendo sacudidos por casos de doping, envolvendo não apenas superastros reconhecidos internacionalmente, como o jamaicano Asafa Powell e o americano Tyson Gay, mas também até brasileiros não tão famosos, que parecem recorrer às manobras irregulares tentando ascender na carreira. No caso nacional, a política antidoping está a cargo da ainda nova Autoridade Brasileira de Controle de Dopagem (ABCD), órgão do Ministério do Esporte criado em 2011 e que vem sendo organizado desde o ano passado. Para o diretor da ABCD, Marco Aurelio Klein, a partir de 2014, a agência estará em ação, com o objetivo de tentar alcançar o objetivo de caso zero de atletas brasileiros nos Jogos Olímpicos de 2016, no Rio.

É um desafio para 2016. Temos o Plano Brasil Medalhas, do Ministério do Esporte, para obter mais medalhas nos Jogos, e o desafio é zero caso de dopagem (de atletas brasileiros) em 2016. Para isso, vamos passar para a educação e a prevenção. Nosso trabalho não é de polícia. É um trabalho de educação. É trazer informação e educação, orientar atletas, treinadores, equipes e família, um trabalho muito grande afirma, por telefone, de Brasília.

Um novo Ladetec

Trabalham na ABCD quatro pessoas, mas o quadro chegará a 24, dependendo de decreto presidencial. Klein atua no planejamento estratégico, em ligação direta com Fifa, Comitê Olímpico Internacional (COI), Rio-2016, Agência Mundial Antidoping (Wada) e agências de Austrália, Reino Unido, Portugal e EUA, cujo diretor (da Usada, a Agência Antidoping dos EUA, existente há 13 anos), Travis Tygert, está em contato.

Não temos proposta orçamentária ainda (acha que será de RS 12 milhões/ ano), mas o orçamento considera que vamos subsidiar o controle de dopagem do país, exceto no futebol, que já tem recursos próprios. Nas demais atividades esportivas, queremos subsidiar e ter um programa a ser debatido com as entidades e pronto para ser posto em prática em 2014 diz Klein.

Segundo Klein, o governo federal vai custear os kits e fazer todos os exames em um novo laboratório:

Na Ilha do Fundão, já está sendo construído o novo Laboratório Brasileiro de Controle de Dopagem (por RS 80 milhões), no novo pólo de química da UFRJ. Nos Jogos-2016, todo o prédio vai funcionar como laboratório de dopagem, na expectativa de seis mil análises em 15 dias. Será o maior legado esportivo dos Jogos, pois terá o que houver de mais moderno no momento.

Entretanto, de acordo com o Tribunal de Contas da União, o TCU, o novo laboratório tinha custo inicial de RS 29,6 milhões em 2009, mas agora estaria acima dos RS 85 milhões. A fiscalização do TCU encontrou falhas no projeto. Segundo o tribunal, pode haver atraso na entrega, prevista para abril de 2014.

Já o Ministério do Esporte enfatizou que todas as dúvidas do TCU serão esclarecidas. De acordo com sua assessoria, o ministério quer que os trabalhos sejam executados dentro dos prazos e orçamentos previstos. Por isso, no dia 18 de junho, foi instalada uma cabine de energia elétrica para o terceiro turno das obras. Conforme o ministério, na época da candidatura olímpica, os valores previam apenas reformas, mas depois, o governo federal decidiu construir um novo prédio.

Para o diretor do Ladetec, Francisco Radler de Aquino Neto, é importante ressaltar que o laboratório é creditado pela Wada.

É o único no Brasil, apesar da falta de apoio no passado e enormes dificuldades financeiras afirmou.

Uma das questões a ser tratada pela ABCD é a dos controles antidoping no país. Segundo Klein, essa quantidade ainda é baixa, exceto no futebol, em que a CBF faz testes nas três séries do Brasileiro. O diretor da ABCD deseja elevar o número de testes dramaticamente, trabalhando não apenas com a quantidade, mas com a qualidade desses exames, já que a partir de 2014 haverá mais controles de antidoping feitos mediante coleta de sangue.

Como estamos implantando um controle de dopagem sistêmico, que ainda não temos atualmente, vamos fazer mais controles em competição do que fora delas. Mas a tendência nos EUA, no Reino Unido e na China, é a de se fazer mais exames fora de competição do que em competição. É a tendência mundial, de 60% ou 70% fora de competição e 40% ou 30% em competição. Entretanto, não podemos começar assim, porque isto ocorre nos países em que a política antidopagem está mais amadurecida declara, antecipando estar no site (www.abcd.gov.br) o cadastro de quem pode trabalhar como oficial de controle de dopagem.

Perguntado se, à semelhança da Itália, que considera crime qualquer fraude no esporte, seja doping ou manipulação de resultados, ou a Espanha, o Brasil poderia adotar legislação mais punitiva em relação a atletas dopados, Klein revelou que tem estudado a legislação espanhola, bem recebida em evento antidoping na Noruega, país que tem projetos com Rússia e China.

A Espanha também tem uma agência específica para a antidopagem. Pedi ajuda à minha área jurídica, e estamos buscando nas leis brasileiras tudo que possa ser incluído numa legislação sobre o tema antecipa. A idéia é, em 2014, abrir audiências públicas, por ser um assunto polêmico.

Ex-diretor de Alto Rendimento do Ministério do Esporte, Klein pesquisa antidoping desde 2009, quando da primeira reunião com a Wada.

Tenho bem claro que não se trata de uma questão sobre drogas. É sobre ética, valores e competição limpa ressalta. São fundamentais: informação, educação, prevenção, inteligência e ação, isto é, o controle.

Francisco Radler considera essencial a criação da ABCD, por se tratar de exigência da Wada, com a qual o país se comprometeu ao assinar a convenção internacional de criação da agência.

Com a criação da ABCD, foi iniciada uma mudança radical, mas ainda paulatina da atitude de órgãos federais. Hoje, ABCD, Ministério do Esporte, Ministério da Educação e Reitoria da UFRJ estão determinados a buscar soluções para a `criação` do laboratório olímpico. O laboratório que fará as análises para as Olimpíadas terá de ser dez vezes maior que o atual, face à diferença entre o número de amostras por ano (cinco mil) e as que teremos em três semanas (seis mil) calcula Radler.

Legado para a UFRJ

Ele enfatiza que nenhum país realizou as análises olímpicas no laboratório em que faz suas análises rotineiras:

Todos tiveram de construir um laboratório especial. O interessante é que o nosso fará parte da UFRJ, com instalações 100% utilizadas antes e após os Jogos. Em muitos países, o investimento no laboratório foi jogado fora com o fechamento do mesmo após os Jogos.

Indagado sobre a atual situação do Ladetec, Radler observa que ele está credenciado pela Wada apesar das dificuldades na sustentabilidade e operação de um laboratório sofisticado.

Agora, contamos com apoio irrestrito do Governo Federal. Falta completar o financiamento e resolver a burocracia, em especial na compra de materiais e equipamentos, na contratação de pessoal, e na logística explica. Londres alémdopessoaledos voluntários, recebeu mais de cem especialistas dos outros 33 laboratórios credenciados no mundo. Para 2016, estima-se 240 técnicos em três turnos.

Segundo Radler, cabe dar à ABCD os meios necessários para atuar.

Creio que estamos vendo surgir uma verdadeira política antidopagem no Brasil. Mas, que precisa amadurecer e desenvolver-se rapidamente para atender às exigências de 2016.

Marco Aurelio Klein, Diretor da ABCD

É um trabalho de educação. É trazer a todos informação e educação, orientar atletas, treinadores, equipes e família.

Não se trata de uma questão sobre drogas. É sobre ética, valores e competição limpa.

Autoridade Brasileira de Controle de Dopagem – ABCD
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