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Clipping: Só dois de dez atletas do país fizeram antidoping

Confira matéria publicada no jornal Folha de São Paulo no domingo (04.08)

A maioria dos atletas brasileiros jamais passou por um teste antidoping, ignora que é preciso informar as autoridades específicas quando recebe prescrição para tomar um medicamento restrito e nunca acessou o site da agência mundial de controle de dopagem (Wada).

Além disso, quase metade não sabe onde achar a lista de substâncias e os métodos vetados no meio esportivo.

É o que aponta estudo da ABCD (Autoridade Brasileira de Controle de Dopagem) com 4.995 inscritos para a última edição do Bolsa-Atleta, do Ministério do Esporte, ao qual a Folha teve acesso.

Órgão federal que se reporta ao Ministério do Esporte, a ABCD foi criada em 2011 para reger o antidoping no país – o Brasil era cobrado para criar uma agência desde que o Rio virou sede olímpica.

O estudo inquiriu inscritos nas cinco categorias do benefício, desde a base até campeões olímpicos, como Maurren Maggi, e paraolímpicos, como Alan Fonteles.

Dos quase 5.000 entrevistados, 76% afirmam que nunca foram testados em competição. O número é de 83% quando se restringe a exames em competições no Brasil.

Em controles fora de competição, hoje em dia considerados mais eficazes para flagrar trapaceiros, o resultado é ainda mais alarmante.

Nove entre dez atletas dizem nunca ter se submetido ao procedimento, seja no Brasil seja no exterior.

Na maciça maioria, os poucos entrevistados que declaram ter passado por coletas fizeram exames de urina (87%). Só 5% contam ter passado por teste de sangue, mais eficiente e custoso --8% dizem ter feito ambos.

"O diagnóstico é preocupante. A pesquisa pode ser um marco para evoluirmos", diz Marco Aurelio Klein, diretor-executivo da ABCD.

O Brasil é um dos recordistas em atletas flagrados.

Em 2012, o país liderou em casos atletas positivos nos esportes aquáticos --sete. Neste ano, já houve um pego.

O atletismo, outro peso-pesado, teve duas ocorrências em 2013 e cinco em 2012.

A pesquisa ajuda a entender o porquê dos números.

Embora 92% dos atletas saibam que há uma lista de substâncias proibidas atualizada todo ano pela Wada, só 60% sabem onde achá-la.

Não surpreende: 66% afirmam nunca terem visitado o site da entidade --que não tem versão em português.

Ainda assim, não é desculpa. Procurado pela Folha, o COB (Comitê Olímpico Brasileiro) ressalvou que publica anualmente uma cartilha e a distribui às confederações.

Mas, segundo Klein, uma enquete feita pela ABCD evidenciou que apenas seis confederações do país têm um programa antidoping estruturado. Entre elas, as de atletismo e natação, justamente as com profusão de casos.

"Somos atrasados em relação à elite. O avanço só começou agora", diz Thomaz Mattos de Paiva, chefe da Conad (Comissão Nacional Antidopagem) do atletismo. Fundada em 2005, a Conad não chega a fazer mil testes por ano.

Um relatório sobre o estudo será mostrado ao COI (Comitê Olímpico Internacional) na próxima visita do grupo de coordenação dos Jogos do Rio, neste semestre.


Entidades veem atraso e criticam pouco critério no antidoping

As principais confederações do país ouvidas pela Folha reconheceram as falhas no antidoping no Brasil, mas ressaltaram que têm obtido avanços.

A CBJ (judô) afirma que faz cerca de cem testes por ano, geralmente fora de competição e com foco nos atletas da seleção.

"Todo ano entregamos um manual aos judocas e técnicos da seleção. Também fazemos um seminário", diz o coordenador internacional Ney Wilson.

Ele afirma que o maior problema é a base. "Soubemos que muitos atletas usavam, com anuência de técnicos, diuréticos."

Sandra Soldan, chefe do antidoping da CBDA (aquáticos), vê a falta de sintonia como problema.

"O atraso se deve à falta de critério no nível nacional. Não existe um critério do quanto cada confederação deve gastar [com antidoping]. A ABCD foi criada há pouco tempo", diz.

Sandra diz que a CBDA faz controles desde o nível infantil. "Deixo meu e-mail e meu telefone disponíveis para responder às dúvidas de atletas. É um canal."

Em nota, o COB afirma que tem promovido ações educativas nos Jogos Escolares da Juventude que realiza e que colabora com iniciativas da Wada.

Autoridade Brasileira de Controle de Dopagem – ABCD
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