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Atletas e técnico discutem os fatores éticos da dopagem

A pedido do brasil2016.gov.br, dois esportistas que devem competir nos Jogos do Rio, um campeão olímpico e um renomado técnico de atletismo se pronunciaram sobre o uso de sustâncias proibidas no esporte.

Em janeiro de 2013, o mundo do esporte, em especial o do ciclismo, foi atingido por uma bomba quando o norte-americano Lance Armstrong admitiu, em entrevista à apresentadora Oprah Winfrey, que havia feito uso sistemático de substâncias ou métodos ilegais para triunfar na lendária Volta da França. Ser campeão uma vez da prova mais difícil e prestigiada da modalidade já é um feito incrível. Mas os sete títulos de Armstrong na competição francesa o transformaram em um ícone em todo o planeta e em fonte de inspiração para milhões de pessoas.

O escândalo de Lance Armstrong tornou-se emblemático entre os casos de dopagem envolvendo grandes estrelas do esporte porque, apesar das suspeitas que recaíam sobre ele, o norte-americano sempre negou, até a confissão, ter usado substância ou métodos ilegais e havia se aposentado como um herói.

Na quarta-feira (13.05), a Agência Mundial Antidopagem (AMA ou Wada, na sigla em inglês) anunciou a reacreditação do Laboratório Brasileiro de Controle de Dopagem (LBCD) que, a partir de agora, torna-se mais um aliado dos atletas na luta por um esporte limpo. O LBCD é o 34º laboratório no planeta acreditado pela WADA e irá operar tanto nos eventos-testes quanto nos Jogos Rio 2016.

A discussão sobre a dopagem, contudo, vai além dos aspectos legais. E a pedido do brasil2016.gov.br, dois atletas que devem competir nos Jogos do Rio, um campeão olímpico e um renomado técnico de atletismo se pronunciaram sobre o aspecto ético do uso de sustâncias proibidas para o aumento de perfomance no esporte.

Injustiça

Atleta da luta olímpica na modalidade greco-romana, o paulista Davi Albino conquistou, em 2015, dois resultados importantes que o levaram a se tornar o primeiro representante do país (no masculino) a figurar entre os 20 melhores do mundo no ranking da United World Wrestling (União Mundial de Lutas Associadas), entidade máxima do esporte.

Medalha de bronze no Torneio Granma y Cerro Pelado, em Cuba, em fevereiro; e prata no Campeonato Pan-Americano da modalidade, em Santiago, no Chile, em abril; Davi Albino classifica a dopagem intencional como injustiça.

“É muito injusto enfrentar um atleta que já tem uma condição legal para treinar, que faz uso de suplementos, e ainda se dopa para ficar mais forte. Isso é uma falta de ética enorme”, afirma. Para Davi, o problema é ainda maior porque, para ele, os que trabalham nas engrenagens da dopagem conhecem ou desenvolvem caminhos muitas vezes eficiente para burlar o sistema antidopagem.

“Acho que é muito difícil manter o esporte limpo. De tempos em tempos eles criam uma sustância que os testes não pegam. Muitos atletas que ganharam várias medalhas se doparam com sustâncias que só anos depois passaram a ser identificadas nos testes. Acho que agora mesmo muitos atletas devem estar tomando alguma coisa que a gente nem imagina e que só vai saber daqui a alguns anos”, acredita o lutador.

Questão Política

Para Elson Miranda, treinador da bicampeã do salto com vara na Diamond League Fabiana Murer, a questão da dopagem extrapola as fronteiras do esporte. “O problema do doping vai muito além da trapaça. Há muito tempo que isso é uma coisa política também. Os recentes casos de doping com atletas da Rússia só acentuam isso”, destaca.

“Eu competi muito com atletas russos e é complicado. É triste ver isso, saber disso, e, principalmente, saber que ninguém fazia nada. Outro caso marcante foi o doping sistemático no ciclismo. Eu me lembro que dei um livro para a Fabiana ler sobre o Lance Armstrong e depois me arrependi amargamente quando soube do caso. Os atletas honestos treinam muito e são levados ao extremo. Então, ver que esse lado existe no esporte é bem chato”.

Elson reconhece que atualmente as ações antidopagem tornam a vida dos trapaceiros mais complicada. Apesar disso, ele não acredita que o esporte um dia ficará totalmente livre do problema. “Vários resultados mundiais no atletismo estão caindo, principalmente no feminino, e não dá para dizer que o esporte atualmente é limpo. Acredito que hoje é até mais fácil de pegar alguém que se dopa. Com o controle que é feito atualmente fica mais difícil para quem quer tomar algo para melhorar a performance burlar o sistema. Mas, ainda assim, vai ser bem difícil limpar o esporte completamente. Acho que isso é praticamente impossível”.

Alerta

Medalha de ouro nos Jogos Olímpicos de Atenas 2004 e tricampeão da Liga Mundial, entre diversos outros títulos, o ex-jogador da Seleção Brasileira de vôlei Nalbert, que depois das quadras ainda jogou vôlei de praia antes de se aposentar, acredita que esforços como os que levaram à reacreditação do Laboratório Brasileiro de Controle de Dopagem são fundamentais. “Eu enxergo que quanto maior o investimento e maior a qualidade dos exames antidoping melhor vai ser para o esporte, que tem que ser limpo”, afirma.

“Por mais que hoje tudo tenha se transformado em um negócio que movimenta muito dinheiro, o esporte legal, bacana, e que as pessoas admiram é aquele que é competido de uma forma em que os atletas, os times e os envolvidos cumprem as regras e sabem ter fair play”, ressalta Nalbert. “Me lembro de toda a minha trajetória do vôlei e o que mais me orgulha é termos vencido tudo o que vencemos de forma limpa, lícita, competindo sempre de igual para igual e ganhando na qualidade, na competência e no treinamento, que devem ser os valores mais importantes do esporte”, prossegue Nalbert, que não esconde sua decepção ao falar do caso Lance Armstrong.

“Quem faz uso de doping trapaceia. Não tem como dizer que não. O exemplo clássico é o Armstrong. Foi uma carreira inteira de mentiras, de performances maqueadas. É algo que não compensa sob qualquer aspecto que a gente possa analisar. Não posso aprovar de forma alguma esse tipo de atitude”.

O campeão olímpico, contudo, faz questão de opinar sobre um outro tipo de dopagem e lança um alerta. “É importante lembrar que o doping intencional é muito diferente do doping social ou do uso de algum medicamento de forma descuidada. Os atletas têm que cada vez mais ter consciência de tudo o que eles estão ingerindo. Muitos, por um motivo ou outro, tomam um remédio que tem uma sustância proibida e acabam sofrendo por isso. O atleta nunca pode ingerir um medicamento que não seja descrito pelo médico oficial do time ou por um médico que conheça tudo o que é controlado pela WADA. Isso pode custar caro para a carreira de um atleta. Demora até ele possa explicar que não foi de forma intencional e acaba virando uma mancha no currículo”.

Informação

Jogador da equipe do UniCeub/BRB e da Seleção Brasileira de basquete, Guilherme Giovannoni, que ajudou o Brasil a conquistar a quinta colocação nos Jogos Olímpicos de Londres 2012, crê que a informação e o controle sistemático são as melhores armas para conscientizar os atletas dos perigos da dopagem.

“Quem usa uma sustância dessas está passando os outros para trás pelo fato de que ele precisa treinar menos do que os outros para aumentar a performance”, condena. “Mas acredito que atualmente o combate à dopagem está bem mais avançado dentro do esporte. Ainda assim, por mais que haja uma campanha de mobilização contra o doping, se um atleta estiver determinado a melhorar o rendimento a qualquer custo ele vai se dopar. Então, quanto mais informação melhor. Mas o controle segue sendo fundamental para inibir esse tipo de prática”.

FONTE: Luiz Roberto Magalhães – brasil2016.gov.br

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