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Diário de SP: COI aumenta pressão sobre fraudes no doping

Veja a entrevista com o Secretário Nacional para a Autoridade Brasileira de Controle de Dopagem - ABCD, Marco Aurelio Klein, feita por Marta Teixeira para o Diário de São Paulo, publicada nesta quarta-feira (18.05).

“Qualquer atleta que consiga uma medalha olímpica por meio de fraude pode até comemorar por algum tempo, mas ele nunca mais dormirá tranquilo. Pode demorar um, dois ou até oito anos, mas ele sabe que poderá perdê-la a qualquer momento.” A frase do secretário nacional da ABCD (Autoridade Brasileira de Controle de Dopagem), Marco Aurelio Kelin, resume o sentimento dos atletas que obtiveram conquistas burlando as regras internacionais de combate ao doping. 

Na segunda-feira (17), o COI (Comitê Olímpico Internacional) revelou que 31 participantes dos Jogos Olímpicos de Pequim-2008 foram flagrados no exame antidoping. As análises das amostras desses atletas foram refeitas e deram resultado positivo para substâncias proibidas. Os nomes dos atletas permanecem em sigilo. Só serão revelados depois de concluída a investigação. Segundo o COI, eles são de seis modalidades diferentes e os flagrados que continuam na ativa serão proibidos de participar dos Jogos no Rio de Janeiro, em agosto. 

Hora da devassa

No total, foram reavaliadas 454 amostras de exames da edição chinesa. 

A operação pente-fino, porém, continua. Serão refeitos 250 testes dos Jogos de Londres-2012. Além disso, todos os medalhistas de 2008 e 2012 terão seu material reanalisado. 

Em caso de uso de substâncias proibidas, eles perderão as medalhas. E aqueles que estiverem na lista para herdá-las só levarão o prêmio depois de também serem reavaliados. 

Alvo de suspeita de um esquema de acobertamento de resultados adversos, o laboratório que realizou os testes nos Jogos de Inverno de Sochi-2014 também está sendo investigado. Com isso, todas as amostras do evento serão revisadas pelo Laboratório Antidoping de Lausanne, na Suíça. 

A revisão de exames olímpicos não é novidade. Isso aconteceu com amostras de atletas que competiram em Atenas-2004 antes dos Jogos de Londres. Desta vez, porém, o COI quis deixar clara sua mensagem aos que não jogam limpo. “Este é um golpe poderoso contra a trapaça, que nós não vamos permitir que vença”, disse o presidente Thomas Bach, após reunião do Conselho Executivo da entidade.

ENTREVISTA: ‘A vigilância não se esgota na conquista da medalha’

DIÁRIO_ Qual a mensagem desta ação do COI ?

MARCO AURELIO KLEIN_ É parte de um cerco cada vez maior à dopagem, que é uma fraude esportiva. É um sinal muito forte de que a vigilância não se esgota no momento da conquista da medalha. O atleta que frauda para vencer ganha apenas um tempo. 

Os escândalos da sistematização no doping do atletismo russo, do Quênia e do laboratório dos Jogos em Sochi contribuíram muito para o recrudescimento do COI?

A revisão é algo que acontece sempre à luz de novas tecnologias. Isso é sempre esperado, mas, provavelmente, ficou um pouco mais intensa por causa desses eventos

Atletas flagrados ou com histórico de doping vão ficar sob verificação mais intensa para os Jogos. O COI deu alguma orientação especial à ABCD?

O COI é a autoridade de teste e o Comitê Organizador, a autoridade de coleta. A nós, coube seleção, treinamento e certificação de agentes de controle de dopagem para poder atuar nos Jogos. E cabe a condução de testes fora de competição, fora das instalações olímpicas ou durante a fase de aclimatação das delegações.

E vocês têm alguma meta na aplicação destes testes?

Estamos em um momento de muitos testes fora de competição, com atletas sendo submetidos a vários controles em espaço de tempo pequeno. Somente este ano, já aplicamos 1.310 testes, sendo 57% deles fora de competição. 

Os controles fora de competição são mais “eficientes”?

Esta é a tendência mundial nas melhores práticas. Uma das principais agências antidopagem do mundo faz 80% dos seus testes fora de competição. A ABCD persegue este caminho e já passou dos 40%, pretendendo passar dos 50% até o final do ano. O futuro aponta concentração máxima nos testes fora de competição, baseados na inteligência.

Acredita que a Federação russa será liberada para competir no Rio de Janeiro?

Não sei dizer e não quero especular. Sei que a IAAF está empenhada em fazer do atletismo modelo de competições limpas. O caso da Rússia foi um grande alerta. Li na íntegra o relatório da investigação independente promovida pela WADA-AMA e, com base nele, fizemos pente-fino em nossos processos. Ficamos muito bem, após pequenas correções.

Alguns consideram a luta contra a dopagem batalha perdida, pois os que tentam burlar as regras estão sempre um passo à frente. Concorda?

Nem sempre. Dopagem é uma questão além de drogas. É, fundamentalmente, questão ética. Dopagem é fraude. É o roubo do sonho do atleta limpo, que compete apenas com sua técnica, capacidade de dedicação e treinamento. O ladrão nunca corre atrás da polícia. Mas o controle de dopagem se sofistica nos recursos tecnológicos e, sobretudo, na inteligência. Se um atleta fraudar  e ganhar dopado, talvez escape num primeiro momento, mas, certamente, nunca mais dormirá em paz com seu troféu ou sua medalha: a fraude será descoberta. Não há saída. A fraude é um elemento estranho ao corpo do verdadeiro sentido do esporte.

 

 COI aumenta pressão sobre fraudes no doping - versão PDF

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