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Ex-atletas olímpicos ocupam postos estratégicos na luta contra o doping

Capitã da seleção de basquete de Mali, Kadidiatou Tounkara não entendeu nada quando uma pessoa que ela nunca havia visto na vida apareceu após um dos jogos dela nas Olimpíadas de 2008, em Pequim, e pediu para acompanhá-la ao banheiro. Queria colher uma amostra de sua urina.

"Mesmo com mais de 20 anos de competições, aquela era para mim uma situação nova. Senti minha intimidade devassada. Gerou dúvida e desconfiança. É uma sensação estranha dar sua urina a um total desconhecido", comentou a atleta, que teve ali o primeiro e, segundo ela, revelador contato com a área de controle de dopagem.

Kady, como é mais conhecida no ambiente do basquete, confessou que havia recebido uma porção de documentos na Vila dos Atletas, mas que, no frenesi da vivência de uma experiência olímpica, nem se preocupou em ler. "Quando me deparei com o exame, fiquei assustada. Eu sabia que não tinha nada a esconder, mas a gente sempre fica meio nervosa. Eu não sabia nem se o fato de fazer o exame me impedia de jogar o próximo jogo do campeonato ou não", disse.

Hoje, a experiência pessoal tornou-se uma espécie de narrativa-mantra para Kady (na foto, ao lado da equipe de basquete de Mali) em sua função mais recente, à frente da comissão de educação da Agência Mundial Antidopagem (Wada). "Assim como eu, uma parcela muito grande de atletas recebe muito pouca educação para o controle de dopagem. Assim, resolvi representar os atletas nessa luta. Ocupar um espaço para ajudá-los a se informar dos recursos que eles têm para se proteger", afirmou, durante a Conferência das Partes, em Paris, na França. O evento na sede da Unesco debate diretrizes e prioridades do combate ao doping entre 187 países signatários.

Uma das atribuições de Kady na comissão é incentivar a produção de conhecimento científico que ajude a criar ferramentas de prevenção do doping a partir da educação baseada em valores. O programa de bolsas de investigação em ciências sociais da Wada existe desde 2005 e já recebeu mais de 500 solicitações. Dessas, 85 projetos foram aprovados, e receberam investimentos de US$ 2,9 milhões.

"A ideia é criar uma visão positiva da luta anti-dopagem. Não queremos que os atletas não se dopem porque têm medo de serem pegos, mas porque eles efetivamente não tenham interesse em se dopar. A educação para valores funciona em cadeia. Envolve atletas, pais, treinadores, consultores, nutricionistas e até advogados esportivos. Toda uma engrenagem em torno do esportista", explicou.

"Não dá para encher uma fruteira com água"

Pablo Squella Serrano joga em outra posição, mas no mesmo time de Kady. Para ele, informação e prevenção são essenciais contra o doping. Ex-integrante da seleção chilena de atletismo com participações nos Jogos Olímpicos de Seul (1988) e de Barcelona (1992), o jornalista e comentarista esportivo ocupa hoje o Ministério do Esporte do Chile e pretende impor uma ampla mudança na estrutura esportiva em seu país.

Com o olhar na extensa verticalidade da geografia chilena, em que os 17,9 milhões de habitantes se dividem em 16 regiões, 54 províncias e mais de 300 comunas, Serrano (foto ao lado) tem a ambiciosa meta de incluir em atividades físicas três vezes por semana, por pelo menos meia hora por vez, mais de 45% das crianças e adolescentes do país na faixa entre nove e 17 anos. "Nós partimos de um problema de desnutrição nos anos 1980 para um de sobrepeso em 45% da população infanto-juvenil atualmente", comentou. 

Mais do que um diagnóstico, Serrano diz ter metas. Pretende fazer com que a atividade esportiva seja parte integrante e essencial na vida dos chilenos dos primeiros anos ao fim da vida, e fazer com que a oferta de educação física e esporte de qualidade ajudem a difundir os conceitos de jogo limpo, trabalho em equipe, respeito às regras, solidariedade, diversão e alegria.

"São quatro propósitos: ampliar a participação da população, promover oportunidades, benefícios e valores do esporte a partir de uma educação pautada em valores, articular um sistema nacional de atividade física e posicionar ainda melhor o Chile no esporte de alto rendimento no âmbito internacional", disse.

Exemplo nacional

O Brasil também tem histórico similar na militância contra o doping. A Autoridade Brasileira de Controle de Dopagem (ABCD) teve à frente, até o fim de junho, o campeão olímpico Rogério Sampaio. O judoca de ouro nos Jogos de Barcelona (1992) ajudou a consolidar as bases que fizeram a ABCD reconquistar o status de conformidade com a Agência Mundial Antidopagem. Sampaio ocupa, atualmente, a secretaria nacional de Alto Rendimento do Ministério do Esporte. O titular da ABCD é o professor Luiz Celso Giacomini.

De Paris, Gustavo Cunha - rededoesporte.gov.br 

Autoridade Brasileira de Controle de Dopagem – ABCD
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